O Dia mais Importante…
Num povo conservador como o nosso, é muito natural que consideremos tudo que nos é imposto ou sugerido. Tradicionalmente tornou-se um hábito muito comum honrar tudo o que nos é anunciado, não só pelo calendário, mas também pela devoção, respeito, convicção ou mesmo paixão!
Refiro o calendário, pois quase a todos os dias, se atribuí um significado. Recordo-me do dia da Arvore, da Mulher, dos namorados, mas ao que me queria hoje reportar, sem dúvida o mais importante, na minha óptica é o Dia da Mãe.
“Quem tem uma mãe tem tudo, quem não tem mãe não tem nada”
Com o seu início muito longínquo, no tempo da Grécia antiga, onde se comemorava a Mãe dos Deuses, este dia foi-se difundindo não só pela Europa mas por todo mundo, devido ao crescimento do cristianismo.
Sendo um dia tão sublime e especial, ao qual nada nem ninguém pode ficar indiferente, será pedir muito que se faça uma vénia, a todas as mães do mundo? Não é garantidamente um sacrifício para os filhos, respeitarem e louvarem as suas mães, mas por vezes, para elas a existência dos filhos pode ter sido sinal de sacrifício, dor e até desespero. Trata-se apenas só de um dia, o que me parece muito pouco para algo de tamanha importância.
O que mais me impressiona é quando se faz referência á mãe como sendo apenas e só a pessoa que se encarrega de nos acordar às sete para ir á escola, que sabe sempre o que gostamos ou não de comer, que nunca se esquece das datas importantes, que já tem o termómetro na mão quanto pressente que estamos com febre, que muito antes de pensar nela, pensa em nós, que está sempre pronta para nos dar aquele “colo” que tanto necessitamos, mas só isto é muito pouco e insuficiente para descrever o que na verdade é uma mãe.
A nossa mãe é o nosso pilar de suporte, a nossa alma, uma amiga em que se pode confiar, com quem se pode partilhar tudo. Qualquer homem pode tentar substitui-la inclusive realizar as tarefas árduas que ela humildemente desempenha, mas fica muito distante, no modo como ama, nisso ela é exímia, só ela tem essa capacidade de amar tão intensamente, sem pedir nada em troca.
O que me entristece é que com o evoluir dos tempos este conceito vai desvanecendo, as mães por este mundo fora vão ganhando outros destaques, o que faz com que não estejam tão presentes, o que pode levar a que este sentimento de “colo” que me referia anteriormente se esmoreça. Pois hoje a mãe trabalha e deposita o seu filho num infantário, não lhe sendo possível acompanhar todo o seu dia, as suas birras, as quedas, os primeiros riscos, as primeiras letras, tudo isto porque este mundo se tornou muito exigente e competitivo. E muitas das vezes ao fim de um dia cansativo, com imenso stress, não conseguem oferecer aquele carinho que o filho tanto precisa e que vai caindo em esquecimento dia após dia.
Nesta civilização em que vivemos, em que tudo gira a uma velocidade alucinante, fazendo com que os sentimentos e os conceitos como o da família vão esmorecendo e passando para planos mais inferiores. O que leva ao aumento da violência nas escolas, nas ruas, os jovens começam a ter problemas muito precocemente e pergunto-me se não será provocado pela ausência da mãe nos tempos da infância e da adolescência?
Por todos estes motivos tenho que considerar de imensa importância o dia da Mãe, como sendo algo que se supera a si próprio, pois temos o dever se não a obrigação de a recordar diariamente afinal foi ela que nos pôs no mundo, que nos deu a possibilidade de sermos o que somos e só assim se consegue entender o sentido desta pequena grande frase: “Quem tem uma mãe tem tudo, quem não tem mãe não tem nada”.
Neste dia tão importante para todos nós, termino com uma simples mas sentida homenagem a todas as mães do mundo e à minha envio -lhe um beijo muito especial, como forma de agradecimento.
Publicado no Jornal "O ARRAIS" em 30/04/09