Na passada semana, realizou-se o conselho nacional do Partido Social-democrata, com o propósito de escolher os candidatos às eleições legislativos, representando dessa forma o distrito pelo qual são cabeças de lista.
Emerge a urgência de sangue novo, ideias novas e pessoas novas, capazes de dissipar com o passadoO partido que se intitula, o maior partido da oposição, debateu intensamente as listas a deputados para a próxima legislatura, não o fazendo de forma convincente, mas sim de maneira a colocar os candidatos (amigos) do passado. Esta opção faz com que o partido não evolua, não regenere e não tenha novas ideias. Somos assim confrontados com um partido que se revê num passado, que em nada o beneficia. A sua líder tinha agora uma excelente oportunidade de unir este partido, mas preferiu optar por dividi-lo, caindo no erro dos arranjos. Rodeia-se assim de políticos que á muito tempo estão fora de prazo.
A Dra. Manuela Ferreira Leite alcança assim o inédito, ter um partido voltado para dentro e não para fora, um partido desavindo e sem ideias novas, apenas se limita a garantir o lugar dos amigos e dos que há muito não colaboram com o partido, bem pelo contrário.
Questiono-me, como é que alguém que quer ser Primeira-ministra, consegue deixar de fora das suas listas elementos de tamanho valor, como Pedro Passos Coelho, que foi apoiado incondicionalmente pela distrital a que pertence? Só porque foi também candidato a líder do partido! Então não é um partido democrático, em que cada um tem direito de expressar as suas ideias? Considero um erro crasso o afastamento de personalidades jovens, dinâmicas e com ideias novas, que contribuam assim para fortalecer e clarificar ideias, que trabalham para alargar os horizontes partidários e que abrem portas ao dialogo interno e aos jovens.
Mas em termos de controvérsias não ficamos por aqui, houve muitas mais surpresas nesta reunião. È inaceitável, que a líder do PSD apoie para segundo lugar pelo círculo de Lisboa uma candidata que é apoiante do Partido Socialista na mesma autarquia! Parece ridículo mas corresponde a verdade.
Surgem assim vozes internas contra este acto, que de liderança tem pouco. È impensável conseguir o apoio e a união de todos, quando se presenciam actos inconcebíveis e mesmo irreflectidos, onde apenas emergem as pressões ou se pagam favores a pessoas que á muito estão ultrapassadas da vida Politica activa, retrocedendo assim no tempo. Não sendo necessários aparecerem as críticas externas, pois as vozes internas estão em constante conflito, diariamente nos meios de comunicação social despontam novas vozes que assim mostram o seu desagrado.
Mas o que sucedeu no conselho nacional do PSD é somente o espelho do que passa em muitas concelhias por este país. Localidades onde os “títulos” têm mais significado do que as pessoas, e do que a própria inteligência. Aparecem sempre os mesmos, auto nomeados, para os mesmos lugares, arrastando-se anos sucessivos, sem entenderem que já em nada contribuem para evoluir ou melhorar o que quer que seja, somando derrotas, desilusões, mas mesmo com todas estas evidências não se retiram, ficam agarrados ao poder.
Emerge a urgência de sangue novo, ideias novas e pessoas novas, capazes de dissipar com o passado e criar um presente sólido, coeso e consistente, permitindo olhar o futuro com mais confiança.
Por: Hugo Sequeira
Publicado no Jornal O ARRAIS


