Numa daquelas horas em que nos apetece falar para dentro, ou melhor, naqueles momentos únicos em que a única determinação que temos é apenas permanecer isolados, meditando, refletindo e apreciar tudo que nos rodeia. Até porque no que se refere ao que nos envolve, somos uns privilegiados, pois vivemos no coração da mais antiga região demarcada do mundo, o Douro.
Idolatrando a beleza da paisagem e pensando em como é bom viver numa região repleta de formosura natural que nos proporciona poder “respirar” melhor. Mas todos na vida vamos sendo confrontados com novas conjunturas, novos desafios, que fazem com que sejamos moldados e possamos apreciar a vida de uma outra forma.
Nos últimos meses tenho acompanhado bem de perto algo de novo, que me tem ensinado muito e de certa forma ajuda a dar mais valor as pequenas coisas da vida, refiro-me sobre as dificuldades que as pessoas com deficiência têm na sociedade.
Como em quase tudo nesta vida há coisas que nos vão passando despercebidas, que só com algumas chamadas de atenção lhes damos o respetivo valor. A grande maioria das pessoas não imagina as lacunas que existem na nossa região para os portadores de deficiência. A sociedade em que vivemos, encontra-se em constante mutação, evolui rapidamente, mas os responsáveis descoram quase sempre um pilar importante que é o direito à vida por parte de todos. Todos temos o direito de usufruir dos serviços que são postos ao dispor da comunidade, mas isso nem sempre se verifica.
Se pararmos para reflectir, verificamos que há uma carência enorme de infraestruturas e recursos que desprezam e rejeitam as pessoas com cuidados especiais. Em muitas localidades, apesar das constantes obras, não encontramos lugar de estacionamento para pessoas com deficiência, não verificamos rampas de acesso aos passeios, não estão disponíveis acessos facilitados aos serviços públicos e muito menos existe informação complementar para estas pessoas. Mas pior que isto é quando é necessário recorrer a alguns serviços públicos e se verificam enormes dificuldades, deparamo-nos com uma imensidão de portas que se fecham, complicando ainda mais o que deveria ser facilitado. Dá mesmo vontade de nos questionarmos o porquê as pessoas se preocuparem mais com burocracias, do que a rapidez e eficácia com que deveriam tentar resolver as questões de quem mais necessita, uma triste realidade que deveria ser corrigida, não chega pensar só em nós e nos nossos interesses, mas sim dar um pouco de atenção aqueles que mais carecem e pensar que o cidadão com deficiência, um dia, pode ser qualquer um de nós.
Só conhecendo estas realidades se compreende as necessidades que estas pessoas enfrentam pela vida fora, pois a sua existência é quase sempre ignorada e os seus direitos são muitas vezes esquecidos. Torna-se mais fácil ignora-los do que tentar melhorar a sua já difícil condição de vida.
