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Começa a despontar com muito impacto e grande determinação a ideia que o governo pretende aplicar, com a desculpa da troika, a extinção de um número significativo de freguesias.
A ideia não parece ser nova, mas nos últimos dias tem ganho grande destaque, pois a decisão tem de ser tomada até Junho do presente ano. Actualmente esta decisão parece um pouco confusa e a ideia transmitida é que ninguém pretende assumir uma posição verdadeira, concreta e definitiva. O governo tenta passar a decisão para as Câmaras Municipais e por sua vez os municípios não sabem muito bem como gerir esse “conflito”.
A ideia governativa é clara, a fusão de freguesias permite algum encaixe financeiro a médio prazo, mas levanta uma questão fundamental e que não pode ser descurada. Com esta fusão quem fica a perder?
Na minha opinião considero útil e interessante esta junção das freguesias mas não em todo o território nacional. Ou seja, considero relevante fundir freguesias oriundas dos grandes centros populacionais. Não se justifica em grandes cidades como por exemplo Lisboa e Porto que existam inúmeras freguesias das quais nem os próprios habitantes distinguem, pois a sua junção no terreno já é uma realidade. Ai sim, porque não a fusão e passar a existir apenas uma que consiga reunir todo esse núcleo populacional.
Já no que concerne às zonas do interior e que por norma são as mais desfavorecidas, não me parece que seja relevante, nem uma necessidade, nem mesmo que seja justo que essas freguesias sejam agrupadas. Por norma estas freguesias do interior e mais pequenas são as mais carenciadas e as que mais necessitam de alguém que as defenda, de alguém que as pessoas conhecem e em quem confiam, que vai dia a dia vai marcando uma presença muito necessária.
Estas pequenas freguesias, e refiro-me obviamente à realidade que conheço, são sem dúvida as que mais necessitam de uma junta de freguesia. As pessoas recorrem às juntas para quase tudo e é ai que, quando bem desempenhada a função, os elementos que a representam são úteis, acabam por ser o primeiro contacto com tudo o que as populações necessitam e não apenas só para passar documentos, como acontece nos grandes centros, onde muitos dos habitantes nem conhecem as sedes das suas juntas de freguesia, nem os elementos que as constituem.
Atualmente, com as dificuldades que todos conhecemos e que se vão agravando dia a dia, as populações vão tendo tendência a ficar mais envelhecidas e carenciadas, logo mais um motivo e uma determinação importante para que os elementos das juntas de freguesia sejam os primeiros a cativar investimento para essas localidades e assim servir de forma positiva as pessoas que representam. Com a fusão das freguesias o que pode acontecer é um desconforto e um afastamento ainda maior entre as pessoas e a instituição acabando muitos assuntos e necessidades por cair no esquecimento.
Esta é só uma opinião, mas gostava de alertar os responsáveis políticos para o facto de pensarem nas pessoas antes de olhar só para os números, que a meu ver neste contexto passam para segundo plano, pois as pessoas necessitam cada vez mais de alguém competente e que defenda os seus interesses, alguém em quem possam confiar sempre.
