sábado, 11 de fevereiro de 2012

QUEM FICA A PERDER?


Começa a despontar com muito impacto e grande determinação a ideia que o governo pretende aplicar, com a desculpa da troika, a extinção de um número significativo de freguesias.

A ideia não parece ser nova, mas nos últimos dias tem ganho grande destaque, pois a decisão tem de ser tomada até Junho do presente ano. Actualmente esta decisão parece um pouco confusa e a ideia transmitida é que ninguém pretende assumir uma posição verdadeira, concreta e definitiva. O governo tenta passar a decisão para as Câmaras Municipais e por sua vez os municípios não sabem muito bem como gerir esse “conflito”.

A ideia governativa é clara, a fusão de freguesias permite algum encaixe financeiro a médio prazo, mas levanta uma questão fundamental e que não pode ser descurada. Com esta fusão quem fica a perder?

Na minha opinião considero útil e interessante esta junção das freguesias mas não em todo o território nacional. Ou seja, considero relevante fundir freguesias oriundas dos grandes centros populacionais. Não se justifica em grandes cidades como por exemplo Lisboa e Porto que existam inúmeras freguesias das quais nem os próprios habitantes distinguem, pois a sua junção no terreno já é uma realidade. Ai sim, porque não a fusão e passar a existir apenas uma que consiga reunir todo esse núcleo populacional.
 
 
Já no que concerne às zonas do interior e que por norma são as mais desfavorecidas, não me parece que seja relevante, nem uma necessidade, nem mesmo que seja justo que essas freguesias sejam agrupadas. Por norma estas freguesias do interior e mais pequenas são as mais carenciadas e as que mais necessitam de alguém que as defenda, de alguém que as pessoas conhecem e em quem confiam, que vai dia a dia vai marcando uma presença muito necessária.
 
 

Estas pequenas freguesias, e refiro-me obviamente à realidade que conheço, são sem dúvida as que mais necessitam de uma junta de freguesia. As pessoas recorrem às juntas para quase tudo e é ai que, quando bem desempenhada a função, os elementos que a representam são úteis, acabam por ser o primeiro contacto com tudo o que as populações necessitam e não apenas só para passar documentos, como acontece nos grandes centros, onde muitos dos habitantes nem conhecem as sedes das suas juntas de freguesia, nem os elementos que as constituem.


Atualmente, com as dificuldades que todos conhecemos e que se vão agravando dia a dia, as populações vão tendo tendência a ficar mais envelhecidas e carenciadas, logo mais um motivo e uma determinação importante para que os elementos das juntas de freguesia sejam os primeiros a cativar investimento para essas localidades e assim servir de forma positiva as pessoas que representam. Com a fusão das freguesias o que pode acontecer é um desconforto e um afastamento ainda maior entre as pessoas e a instituição acabando muitos assuntos e necessidades por cair no esquecimento.

Esta é só uma opinião, mas gostava de alertar os responsáveis políticos para o facto de pensarem nas pessoas antes de olhar só para os números, que a meu ver neste contexto passam para segundo plano, pois as pessoas necessitam cada vez mais de alguém competente e que defenda os seus interesses, alguém em quem possam confiar sempre.



domingo, 5 de fevereiro de 2012

Somos todos Portugueses?

As voltas que o mundo dá inquietam tudo e todos, neste momento presenciamos um mundo instável e em constante mudança não permitindo que se possa imaginar o que o futuro nos reserva. A travessia do deserto pelo qual passamos, tem-se esboçado mais problemática e grave do que alguns inicialmente anteviam. As contas públicas não se regularizam, nada melhora, tudo parece agravar-se e as notícias pessimistas que vão surgindo também não aliviam a pressão dos mercados.
Dada à situação atual, todos sabíamos de ante mão que este ano de 2012 ia ser um ano difícil, com medidas complexas e que mexem com todos os Portugueses, ou melhor, anunciava-se que mexiam com todos, mas afinal parece que nem todos somos “filhos” do mesmo país.
As informações que veem a público, que nos devem indignar, parecem contradizer muitas das medidas que o governo pretende aplicar e que segundo dizem servem para “tirar” o país da crise. Então se os sacrifícios são para todos e se todos temos de pagar, por que motivo é que alguns sectores empresariais vão receber decimo terceiro mês e subsídio de férias? Não terão eles responsabilidades no estado atual, ou merecem mais uns que outros.
Mas ao que tudo indica, alguns dos sectores privilegiados não ficam por aqui nos benefícios, em comparação com os restantes trabalhadores, têm surgido também notícias que nos comunicam que não perderão os dias de férias de que todos os outros vão ficar privados. Estas medidas controvérsias e que beneficiam uns em detrimento de outros prejudicam não só o país como toda a comunidade, pois ninguém fica indiferente à discriminação.
Quando diariamente são pedidos sacrifícios, todos devemos ser chamados a cumpri-los e não apenas alguns, isso é o mais preocupante, pois a revolta e a contestação fica assim mais vulnerável. A injustiça social é o que mais devia preocupar os responsáveis políticos. Se nos anos em que se desgovernou, já houve alguns que foram mais beneficiados, está na hora de terminar com essas descriminações que muito contribuíram para se ter caído nesta situação lamentável e vergonhosa em que nos encontramos.
Agora que se está a pedir contenção e sacrifícios, tem de ser a todos a pagar e não pode haver descriminação pois todos temos dificuldades, todos necessitamos e a descriminação que se está a fazer pode criar muita contestação e revolta. Os responsáveis não se podem limitar a impor regras, devem fazer cumpri-las a todos, não pode haver uns mais favorecidos que os outros, os sacrifícios se existem têm de ser para todos.
Chega de descriminação, afinal somos ou não somos todos Portugueses? Será que também para pagar a “famosa” crise há Portugueses de Primeira e de Segunda?