sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O Fruto do Outono!


Com a chegada do Outono, surge também um dos frutos mais apreciados pela maioria das pessoas, as castanhas.

“Quentinhas e boas”, gritam as vendedoras e os vendedores de rua, que por todo o país divulgam este fruto tão especial e saboroso. Quem não recorda com saudades, naquelas manhãs de Outono, em que o frio nos gela a cara, e que as castanhas quentinhas aquecem o corpo mas também a alma. Aquele cone feito de folhas velhas de jornal, muitas delas transportando notícias tristes e deprimentes enrolam aquelas castanhas maravilhosas com um sabor deslumbrante a que ninguém consegue resistir.
É importante e agradável relembras os tempos em que grupos de amigos se juntavam e rodeando uma enorme fogueira assavam as tão apetecíveis e estaladiças castanhas que faziam e ainda fazem as delicias de adultos e crianças.

A animação, boa disposição e alegria reina no ceio de inúmeros magustos que se realizam por muitas regiões e sempre com as castanhas como centro das atenções, mas também não falta o vinho novo ou a jeropiga para acompanhar este fruto que tem características invulgares e muito especiais, o que comprova ser um dos frutos mais apreciado e de excelência.

Mas importa também referir não só a festa e animação que as castanhas nos envolvem mas sim um pouco de história sobre este fruto que actualmente se está a tornar num pitéu.

Sabiam que no início do século XVII, as castanhas eram um dos produtos básicos e essenciais da alimentação dos transmontanos e beirões, chegando mesmo a substituir as batatas e o pão.

A árvore que dá origem a este fruto é o castanheiro, que durante décadas foi motivo de interesse e dedicação de vários historiadores, que apontam tratar-se de uma árvore muito antiga mesmo considerada autóctone. O que vem confirmar tratar-se de uma árvore e de um fruto que vem passando de gerações e gerações e por isso a sua fama e a sua mais valia já são oriundas de tempos muito antigos.

Assadas, cozidas ou cruas são sempre saborosas, sempre apetecíveis. Ricas em nutrientes, capazes de alimentar, substituído mesmo alguns dos alimentos que hoje fazem parte da nossa cadeia alimentar, há mesmo quem defenda que estamos perante um dos primeiros alimentos consumidos pelo homem.

Com indícios de existir já na pré-história, o que nos leva a reflectir sobre a importância deste fruto na nossa existência, há mesmo estudos que revelam que as castanhas e o seu invólucro, os ouriços, servem para a criação de inúmeros medicamentos, devido à riqueza e variedade dos seus componentes. Por tudo isto é necessário valorizar um fruto que é muitas vezes equecido.


sábado, 23 de outubro de 2010

Uma Greve Útil


Os dias que se aproximam não parecem trazer nada de novo e muito menos algo de que nos possamos orgulhar. Com um país deliberadamente em contenção financeira, um orçamento por aprovar e com uma greve geral que promete ser das maiores alguma vez realizada, nada que indicie dias fáceis.
Os sindicatos parecem convergir todos na mesma direcção, a greve. Diariamente surgem notícias que nos informam de mais um sector de actividade que vai aderir à tão badalada greve geral. Mais curioso e inédito é a presença da classe médica, pela primeira vez na história, também já confirmou a sua participação, o que é indício de uma paragem completa no País. Dos transportes aos serviços médicos tudo estará em greve, o que alerta para que algo está mesmo muito mal, a unanimidade em torno desta greve parece ser quase total.
Mas passando agora a posicionar e direccionar a minha posição em relação a esta questão, gostaria de afirmar que sou totalmente a favor da liberdade de expressão e consequentemente a favor do direito à greve. Gostaria de neste espaço deixar bem vincados alguns pontos que considero essenciais, devido a conjectura económica que assola o país.
1.º Não devemos partir para a greve apenas com a ideia que é um dia em que não se trabalha, essa ideia é retrógrada e totalmente desadequada. Devemos sim marcar a nossa posição, estar presentes, informados, fazendo ouvir as nossas reivindicações, para que possamos ter uma causa justa sobre o porquê de estarmos de greve.
2.º Não se esperam tempos fáceis, há até quem pense que esta greve pode piorar a situação, mas eu não creio, parece-me isso sim que com esta jornada de luta se pretende demonstrar aos governantes que estamos atentos às suas decisões, não aceitando que cada vez que surja um contratempo sejam sempre os mesmos a pagar por isso.
3.º Outro dos motivos pelo qual devemos mostrar o nosso desagrado não permitindo que nos retirem algumas das regalias que os nossos antecedentes conseguiram. Com muita luta, determinação e garra foram conseguidos acordos laborais importantíssimos, que não podemos agora de um momento para o outro perder.
Por estes motivos que inúmero e que considero serem suficientes para que todos façamos um dia de luta nacional. A demonstração do nosso desagrado perante as medidas exercidas por este governo tem de ter uma reacção, não podem os senhores do poder dispor sempre dos mesmos para combater as crises que eles ajudaram a criar. Por incompetência, irresponsabilidade, ou favorecimento de alguns é que a situação chegou onde chegou, mas não pode ser sempre a classe média a pagar por isso, a greve que se anuncia vai servir sim para demonstrar o descontentamento das medidas que deliberadamente nos vão ao bolso, um roubo às claras e visível a todos, mas que não podemos fazer nada para evitar.
Como diz o povo “cada cabeça sua sentença” por isso compete a cada um decidir o que fazer, mas se não se mostrar-mos o nosso desagrado, no futuro estas medidas podem ainda ser mais devastadoras e agravar a economia das famílias, que cada vez se vêm com mais dificuldades.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Mais um forte apertão!



Como sempre, o ainda Primeiro-Ministro não descora os pormenores. A hora escolhida para falar ao país não podia ser mais adequada, 20 horas e lá surge mais uma mão cheia de medidas que visam reduzir a despesa do estado. Nem o facto de ser a hora de jantar altera os planos, pois assim apanha a família toda à “mesa” e todos tomam conhecimento do forte apertão que aí vem.

O Primeiro-ministro, acompanhado do seu habitual staff, alerta para as necessidade de contenção que os Portugueses vão ter de fazer nos próximos tempos, apertar o cinto (ainda mais). Com um semblante de quem está imensamente preocupado com o povo, anuncia as medidas difíceis, pelas quais, as famílias portuguesas vão ter de passar mais uma vez. Desde o aumento do IVA até ao corte nos salários, passando pela redução das pensões e do abono de família, na redução dos valores a transferir para as autarquias e universidades, tudo vai entrar no estado de congelação para os próximos tempos. São assim medidas que directa ou indirectamente mexem com o bolso de todos.

Curioso é que estas medidas são direccionadas para os bolsos dos que mais precisam. Se recuarmos alguns anos verificamos que é mais do mesmo, ou seja, o país vai mal, mas os que pagam a crise são sempre os trabalhadores do estado e das empresas públicas, os que diariamente suportam o bom funcionamento de muitas instituições. Os senhores que estão no governo não são capazes de inverter as coisas sem recorrer aos aumentos de impostos e mexer sempre com os mesmos.

Quando eleitos, a grande função é governar, mas devem faze-lo de forma inteligente e sempre com rigor, competência e isenção, não seguir pelo caminho mais fácil, aumento dos impostos. Para ir sempre nesta direcção, aumentar impostos, não seria necessário tantos ministros, tantos secretários de estado, nem assessores, essa decisão é o caminho mais fácil, aumenta-se e o povo paga a tão badalada “crise”.

Mas além das medidas que formam anunciadas, ainda há que esperar pelo orçamento para o próximo ano. Esse sim irá ditar o que nos espera e quais os “apertões no cinto” que vamos ter de dar. Com as presidências a aproximarem-se, não há muitas hipóteses de o orçamento chumbar, pois colocaria o país no caos. Um governo de gestão e sem orçamento é algo que não precisamos. Emerge a necessidade de os “bem pagos” políticos do país serem chamados à responsabilidade e rapidamente chegarem a um acordo para sairmos desta crise que parece não ter fim.

Estas medidas austeras que vão ser aplicadas enfraquecem o investimento e a economia, retiram poder de compra, capacidade de investimento e diminuem confiança, Será que é este o caminho? Tenho algumas dúvidas sobre estas medidas, desconfiando que apenas irão dar fruto no imediato, descurando o futuro, voltando assim a cair no mesmo erro do passado
Só resta aguardar por dias melhores, esperando que estes sacrifícios não venham aumentar ainda mais os desequilíbrios sociais, já existentes no país. Os índices de confiança estão em baixo mas era bom que o país revertesse a situação e que as medidas de austeridade fossem substituídas por outras capazes de reavivar a economia e melhorar a vida de todos os Portugueses.