sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A Nossa Saúde em mãos alheias!



Terminado o Verão, que este ano nos prendou com muito sol e se alongou pelo Outono, deixando inúmeras duvidas sobre o que verdadeiramente se passa com este clima que ano após ano tem perdido as características habituais.
Mas não é sobre o clima, ou sobre as alterações climáticas que quero hoje dar a minha opinião, convicto que é um tema importante, interessante e até mesmo preocupante, mas fica para uma próxima. Hoje quero deixar-vos aqui uma pequena reflexão, sobre o actual estado do sistema de saúde, que vai perdendo características importantes, de relevo e que nos colocam em situação degradante, perdendo as premissas a que todos nós dávamos imensa importância.
Assim a mítica figura do “médico de Família”, deixa de fazer qualquer sentido. Passamos a ser consultados por pessoas que não nos conhecemQuando recuamos no tempo, relembrando a infância, recordamos as idas ao médico, que denominávamos de “médico de família”, foi essa sempre a figura que me habituei a ver e a procurar, quando algum problema de saúde me abalava. Era habitual, ele saber o meu nome, o dos meus pais, conhecer minimamente a minha família, pois a sua designação logo nos remete para um significado lógico e facilmente perceptível. “Medico de Família”, espontaneamente se deduz que é um médico que tem como objectivo acompanhar a família, assistir a evolução da vida familiar, conhecer os problemas de saúde, saber onde actuar como médico nessa família, ter junto de si um historial que lhe possibilite conhecer alguns problemas genéticos, se existirem, facultando assim o conhecimento, podendo assim agir com rapidez e eficácia quando for necessária a sua actuação.
Foi essa imagem, que durante anos me habituei e foi também a imagem que criei, que considerei ser a mais correcta e me dava segurança quando me dirigia ao médico, pois acima de tudo iria encontrar uma pessoa que me conhecia e na qual tinha plena confiança.
Mas não é isso que acontece hoje, pelo menos em alguns centros de saúde do interior do país, essa imagem do “médico de família” vai desaparecendo e com ela afasta-se também o bom relacionamento e a confiança. Com a falta de profissionais de saúde que se verifica, especificamente médicos. Os que existem deslocam-se geralmente para os grandes centro, no Litoral, o que origina o recrutamento a médicos provenientes de outros países e que pouco, ou nenhum conhecimento têm dos problemas, das dificuldades e da realidade dos utentes que passam a ter a seu cargo.
Assim a mítica figura do “médico de Família”, deixa de fazer qualquer sentido. Passamos a ser consultados por pessoas que não nos conhecem, não conhecem a nossa família, os nossos problemas de saúde, nem tão pouco compreendem os problemas mais relevantes da região em que estão a exercer a sua profissão. Como podem assim ser capazes de nos ajudar? De ir ao encontro com das nossas necessidades? Impossível, muitos deles só estão por cá, porque necessitam trabalhar, necessitam anos de serviço para depois regressar ao seu país de origem. Assim a generalidade destes médicos estrangeiros só estão aqui de passagem, só estão á espera de melhores dias, de melhores oportunidades, por isso o desinteresse e a falta de conhecimento que muitos demonstram em relação aos problemas dos seus utentes. È também de salientar e de reprovar a falta de atenção e a arrogância com que muitos deles nos atendem, deixando passar a ideia que estão a fazer um favor, mas na verdade estão a ser pagos para nos servir, pena que não o interpretem dessa forma. Mas nem as muitas reclamações que vão quase diariamente aparecendo, têm o efeito desejado, o de melhorarem e de pelo menos enquanto por cá estiverem tratarem os seus utentes com dignidade, respeito, atenção, compreensão e não como mais um, que tem de despachar. Acabam até por criar um clima de medo e pouco estável, no seio da equipa onde trabalham, muitas vezes equipas eficazes, compostas por pessoas competentes, mas que ficam oprimidas, sem poderem desempenhar a sua função correctamente, pois encontram-se rodeados num clima de intolerância e incompreensão.
O serviço de saúde que diariamente pagamos através dos nossos descontos passa para segundo plano, deixamos de retirar proveito de uma das mais elementares necessidades que possuímos, o direito a um serviço de saúde de qualidade.

In ARRAIS

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS





Duas semanas após o último acto eleitoral, em que os Portugueses elegeram o próximo Primeiro-ministro, regressaram às urnas no passado domingo para eleger os candidatos autárquicos. Aproveito agora novamente para comentar mais este acto eleitoral, que rodeou o país nas últimas semanas, em que houve grande euforia, festas, diversões mas também imensa Tensão.
Foi notório assistirmos a grandes momentos de campanha, estrondosos comícios, convidados de renome e muita comida. È assim que o povo Português se revê nas campanhas eleitorais, festa, muita festa, os esclarecimentos e as ideias passam para planos muito inferiores.
Nesses casos, a política carece de sangue novo, ideias novas, visões alargadas, que possam fazer frente á enorme dinâmica que o mundo premeia.Este acto que elegeu democraticamente para os próximos quatro anos as pessoas que vão “governar” os destinos das freguesias ou conselhos onde vivemos. Como sempre houve surpresas, que esquentaram a noite, entusiasmaram o eleitorado e criaram índices de euforia nos candidatos e apoiantes, só resta saber se estarão á altura das obrigações que o povo lhes confiou, não os decepcionando, nem querendo o poder só pelo poder, importante é desempenharem a função com determinação vontade e muita competência.
Salvaguardando os interesses das pessoas, é exequível que nos próximos quatro anos os candidatos agora eleitos provoquem enormes remodelações nos concelhos onde foram eleitos, concebendo riqueza e desenvolvimento, pois entram com ideais novas, gente nova, de valor inquestionável, capazes de estar á altura das suas responsabilidades. É também uma forma de demonstrarem e agradecerem a confiança dos que votaram na sua candidatura e conquistar os que ainda permaneceram com algumas dúvidas.
Aqueles que continuam no cargo, que receberam um sinal claro de confiança, em que neles foi depositada mais esperança, só resta continuarem com um rumo bem definido, materializando as ideias que apresentaram, para não desiludirem quem neles acreditou.
Como em tudo na vida para haver um vencedor tem sempre que haver vencidos, esses só lhes resta meditar, tirar conclusões e clarificar a sua posição. Para muitos destes derrotados, a clarificação passa pelo afastamento, pois já somam longas derrotas, muitas delas expressivas o que os coloca numa situação concreta, a retirada da vida política, já não têm idoneidade moral para se manterem nos cargos.
Nesses casos, a política carece de sangue novo, ideias novas, visões alargadas, que possam fazer frente á enorme dinâmica que o mundo premeia. A evolução é constante, o que acarreta que sejamos competentes, activos e dedicados para poder acompanhar esse desenvolvimento. No Domingo, em muitas freguesias e concelhos foi dado um sinal claro do que o povo ambiciona, a regeneração de muitos políticos, que de forma clara e ostentosa viram as suas candidaturas serem derrotadas. Por tudo isto e pelo actual estado de degradação que muitas comissões politicas se encontram, com lideres incapazes de fazer frente as necessidades do eleitorado, a solução só pode ser de metamorfose total. Uma modificação profunda, com pessoas jovens, capazes, de ideais diferentes, com mentes abertas, activas, capazes de comunicar e motivar quem os rodeia. Surge agora uma oportunidade de “ouro” que não pode ser desperdiçada, tornou-se evidente que a mudança é algo que tem de ser concretizada e o mais rápido possível, para não caírem nos erros do passado.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

De Rasca não tem nada



De Rasca não tem nada!!!

Regressando um pouco no tempo, mais especificamente aos anos 60 e 70, quem não se recorda da tão badalada designação com que os jovens desse tempo eram apelidados. Uma denominação que os desrespeitava humilhava e enfurecia, instruindo mau estar e muita revolta. Mas foram sempre tentando contrariar essa designação, acabando mais tarde por se confirmar totalmente errada. Muitos de vós já deve estar a adivinhar que me refiro á intitulada “geração rasca”.
Os que sentiram na pele toda a descriminação dos mais velhos, que propositadamente achavam que não íamos conseguir ser úteis para a sociedade, que pensavam que não seriamos capazes de atingir um objectivo, alcançar um rumo, enganaram-se, porque isso não se confirmou e esta geração vai dando que falar e pelos bons motivos.
É aí que se nota bem a disparidade, a tão badalada “geração rasca”, comprovou hoje ser capaz e possuir uma enorme personalidadeOlhando o mundo fantástico que nos rodeia, constatamos que as pessoas que actualmente ocupam cargos de destaque em empresas nacionais e internacionais são jovens dessa geração que, vão cunhando tudo e todos com a sua maneira de ser. Primeiro distingue-se pela diferença, qualidade, competência, vontade e pelo rigor. Sem dúvida que estes são os pontos fortes de Homens e Mulheres que foram sempre postos de lado, mas que com coragem, determinação e muita vontade, formam á luta conseguindo atingir orgulhosamente os seus objectivos.
Tentando ser imparcial, o que neste caso se torna difícil, pois faço parte dessa geração, significa que senti na pele esse desrespeito, que os mais velhos tinham por nós. Hoje admito que a ideia de muitas dessas pessoas tenha sido alterada, olham agora e confessam estar profundamente enganados.
Realçando alguns pontos importantes do tempo de escola e generalizando, distingo por exemplo o bom relacionamento que existia com os colegas, com os professores, muitos deles até se tornaram amigos, conselheiros, companheiros e tudo isto se deve ao grande carácter, a enorme personalidade que essa geração possuía. Com tristeza vejo que isso está um pouco a mudar, e os professores são agora apenas professores, deixaram de ser alguém com quem se podia contar sempre.
Mas não é só aqui que se nota a diferença quando comparada com os dias de hoje. Existem inúmeras divergências que convêm lembrar, fazemos parte de uma geração que bebia pela mesma garrafa, brincava na rua, corria pelos montes, vinhas, tudo era motivo para festa e brincadeira, andava nos carros sem cinto, brincava ao pião, saltava á corda, jogava às escondidas, alegremente e em grupo. Não tinha computador, televisão no quarto, Playstation, nem cadeirinhas para andar de carro e muito menos quem nos fosse levar e buscar á escola, mas no entanto sobrevivemos e cá nos mantemos fortes, capazes e com uma personalidade bem vincada.
, que faz de nós pessoas de bem, de respeito e com muitos conhecimentos. Sem margem de erro fomos crescendo e com maior ou menor dificuldade vamos conseguindo atingir os nossos objectivos, por tudo isso as gerações que nos seguem, que nos tomem como exemplo e serão sem dúvida a continuidade de um futuro sorridente e capaz.

Arrais

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

MAR DE GENTE NA APRESENTAÇÃO DO PARTIDO SOCIALISTA DE MESÃO FRIO










Realizou-se no passado Sábado, dia 3 de Outubro, na escola de Mesão frio, a apresentação oficial dos candidatos autárquicos do Partido Socialista.
Um concelho que especialmente este ano vive intensamente este acto eleitoral, como constata quem por lá passa. As ruas preenchidas com cartazes políticos, bandeiras e autocolantes em todos os locais, o que vem confirmar a imensa dedicação que os candidatos e o Povo colocam nesta eleição, que se realiza no dia 11 de Outubro.
O recito foi pequeno para tanta gente que ocorreu ao local, foi perceptivo o empenho, dedicação e a enorme organização com que os responsáveis realizaram este evento. O grupo convidado para animar a festa era de renome, “Diapasão”, a comida e a bebida também não faltaram, mas importante é salientar a presença do povo que aderiu em massa para saudar o candidato ao Município, Prof. Alberto Pereira.
Marcaram presença algumas figuras ligadas ao Partido Socialista, demonstrando o apoio ao candidato. Foram eles José João Bianchi - Pró-Reitor UTAD e Deputado eleito pelo PS, Alexandre Chaves actual Governador Civil de Vila Real, José Luís Carneiro Presidente da Câmara Municipal de Baião e Pedro Silva Pereira - Secretário Nacional do PS e actual Ministro da Presidência.
Depois de efusivamente serem aplaudidos os convidados, foi a vez de subirem ao grandioso palco os candidatos às assembleias de freguesia. Tomou a palavra o mandatário da campanha Jorge Lopes, seguindo-se depois o Presidente da Câmara de Baião, que fervorosamente colocou a multidão ao rubro, com um discurso eloquente, realçando as vantagens em existir boas relações entre os dois concelhos vizinhos, permitindo uma interligação entre ambos, para juntos desenvolverem os dois concelhos.
Como é habitual, seguiu-se o discurso do ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, também ele recentemente eleito pelo círculo de Vila Real. Começou o seu discurso agradecendo a todos a presença e agradecendo o voto de confiança que este concelho deu nas eleições legislativas, em que o Partido Socialista saiu claramente vencedor.
Em seguida e o momento alto da noite, o discurso do Prof. Alberto, que foi interrompido diversas vezes pela multidão, que intensamente gritava pelo seu nome fazendo-se ouvir em todo o recinto, o que demonstra o imenso apoio que o rodeia. Convicto e de ideias claras, foi sempre um discurso positivo e com visão de futuro, afirmando que “vai governar por todos e para todos”. Importa realçar o empenho de todos mas essencialmente dos muitos Jovens que estiveram presentes

Lista Ordenada dos candidatos:
Câmara Municipal:
Alberto Pereira
Mário Sousa Pinto
Nuno Machado
Cristina Major
Marisa Carreira

Assembleia Municipal:
Eduardo Miranda
Assembleias de Freguesia:
Barqueiros
Adérito
Cidadelhe
Adalberto Sampaio
Oliveira
Pedro Pinto
Santa Cristina
José Amaral Poças
São Nicolau
António César Nunes
Vila Jusã
José Lima
Vila Marim
Vitor Barros Fonseca


publicado no Arrais em 08/10/2009

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

MAIS DO MESMO



Domingo dia 27 de Setembro de 2009, 20h em Portugal Continental, a maioria dos Portugueses colados à televisão para saber quem vai governar o pais nos próximos anos.
Os Canais de televisão multiplicaram-se em inovações, melhorias, destaques, enfim tecnologia de ponta para cativar os telespectadores e assegurar a liderança da transmissão televisiva de que tanto se fala actualmente e que acaba por influenciar os telespectadores.
Eis que surge então, em todos os ecrãs do país, nome de José Sócrates como o novo Primeiro ministro de Portugal. Sem espanto, admiração ou mesmo novidade, confirma-se o que as sondagens há muito anunciavam, o povo deu um voto de confiança ao Partido Socialista, mais pequeno do que no sufrágio anterior, mas suficiente para garantir que continue a governar o País.
Quanto aos restantes partidos que foram a votação, convém salientar a grande surpresa da noite, que acabou mesmo por fazer história, o Partido Popular do Dr. Paulo Portas, contra todas a sondagens que foram anunciadas nas últimas semanas conseguiu atingir a meta a que se propôs, ser a terceira força mais votada, desmoronando o Dr. Francisco Lousã que á muito cantava vitória, muito antes de se saber a vontade do povo. Quanto à CDU, mantém-se nas percentagens que vem obtendo desde que os últimos anos, confirmando que é um partido que necessita de uma urgente renovação, de sangue jovem e activo.
Uma breve palavra, mas muito importante, para os elevados índices de abstenção com que fomos confrontados, muito elevados e que em nada beneficiam a democracia e que só bem confirmar que algo na classe politica está errado.
Tentando fazer uma análise sucinta a estes resultados, fico com a ideia que vamos ter mais do mesmo, ou seja, uma governação de aperto, de reformas difíceis, de contestação mas com uma grande diferença, a falta de maioria absoluta deixa o governo numa situação difícil no que respeita á tomada de decisões. Quem não se lembra do governo socialista do tempo do Eng. Guterres, que teve a necessidade de se colar a um deputado do CDS para fazer aprovar o orçamento de estado, também conhecido nesse ano como o orçamento do queijo limiano. Será que o Eng. José Sócrates vai ter de recorrer a estes métodos para fazer passar as suas propostas? Ou vai tentar uma coligação, para garantir uma governabilidade mais segura e poderosa? São questões que o tempo se vai encarregar de nos esclarecer nos próximos dias.
Mas há muitas mais elações a retirar destas eleições. Recordo-me dos professores, que tantas manifestações realizaram, tanta contestação criaram á volta do governo, da ministra da educação e do próprio primeiro-ministro, mas que na hora da decisão confirmaram, muitos deles, o voto no mesmo Partido. Torna-se agora difícil sair á rua, para criticar, ou será que deram um sinal claro de que estão satisfeitos com a sua actual situação.
Outro ponto que me suscitou imensas dúvidas, indignado mesmo, foi ouvir os líderes de quase todos os partidos cantar vitoria, pensei mesmo, será que estão a analisar os mesmos resultados que as televisões nos mostram, ou existem outros resultados!
Quem saiu vitorioso destas eleições é sem duvida o Partido Socialista, primeiro porque foi o mais votado e em segundo, vai ser o Eng. José Sócrates, o seu actual líder, a ser chamado para formar governo.
Acabadas que estão as eleições legislativas, o País acorda para outra luta, as eleições autárquicas que vão preencher as próximas semanas. Há quem já retire destas eleições alguns dados, mas penso que precipitadamente, pois as autárquicas não se revê nos partidos, mas sim nas pessoas que os representam, por isso á que aguardar até ao próximo dia 11, com expectativa, para se poderem tirar novas elações.


Publicado no Jornal O ARRAIS