
Terminado o Verão, que este ano nos prendou com muito sol e se alongou pelo Outono, deixando inúmeras duvidas sobre o que verdadeiramente se passa com este clima que ano após ano tem perdido as características habituais.
Mas não é sobre o clima, ou sobre as alterações climáticas que quero hoje dar a minha opinião, convicto que é um tema importante, interessante e até mesmo preocupante, mas fica para uma próxima. Hoje quero deixar-vos aqui uma pequena reflexão, sobre o actual estado do sistema de saúde, que vai perdendo características importantes, de relevo e que nos colocam em situação degradante, perdendo as premissas a que todos nós dávamos imensa importância.
Assim a mítica figura do “médico de Família”, deixa de fazer qualquer sentido. Passamos a ser consultados por pessoas que não nos conhecemQuando recuamos no tempo, relembrando a infância, recordamos as idas ao médico, que denominávamos de “médico de família”, foi essa sempre a figura que me habituei a ver e a procurar, quando algum problema de saúde me abalava. Era habitual, ele saber o meu nome, o dos meus pais, conhecer minimamente a minha família, pois a sua designação logo nos remete para um significado lógico e facilmente perceptível. “Medico de Família”, espontaneamente se deduz que é um médico que tem como objectivo acompanhar a família, assistir a evolução da vida familiar, conhecer os problemas de saúde, saber onde actuar como médico nessa família, ter junto de si um historial que lhe possibilite conhecer alguns problemas genéticos, se existirem, facultando assim o conhecimento, podendo assim agir com rapidez e eficácia quando for necessária a sua actuação.
Foi essa imagem, que durante anos me habituei e foi também a imagem que criei, que considerei ser a mais correcta e me dava segurança quando me dirigia ao médico, pois acima de tudo iria encontrar uma pessoa que me conhecia e na qual tinha plena confiança.
Mas não é isso que acontece hoje, pelo menos em alguns centros de saúde do interior do país, essa imagem do “médico de família” vai desaparecendo e com ela afasta-se também o bom relacionamento e a confiança. Com a falta de profissionais de saúde que se verifica, especificamente médicos. Os que existem deslocam-se geralmente para os grandes centro, no Litoral, o que origina o recrutamento a médicos provenientes de outros países e que pouco, ou nenhum conhecimento têm dos problemas, das dificuldades e da realidade dos utentes que passam a ter a seu cargo.
Assim a mítica figura do “médico de Família”, deixa de fazer qualquer sentido. Passamos a ser consultados por pessoas que não nos conhecem, não conhecem a nossa família, os nossos problemas de saúde, nem tão pouco compreendem os problemas mais relevantes da região em que estão a exercer a sua profissão. Como podem assim ser capazes de nos ajudar? De ir ao encontro com das nossas necessidades? Impossível, muitos deles só estão por cá, porque necessitam trabalhar, necessitam anos de serviço para depois regressar ao seu país de origem. Assim a generalidade destes médicos estrangeiros só estão aqui de passagem, só estão á espera de melhores dias, de melhores oportunidades, por isso o desinteresse e a falta de conhecimento que muitos demonstram em relação aos problemas dos seus utentes. È também de salientar e de reprovar a falta de atenção e a arrogância com que muitos deles nos atendem, deixando passar a ideia que estão a fazer um favor, mas na verdade estão a ser pagos para nos servir, pena que não o interpretem dessa forma. Mas nem as muitas reclamações que vão quase diariamente aparecendo, têm o efeito desejado, o de melhorarem e de pelo menos enquanto por cá estiverem tratarem os seus utentes com dignidade, respeito, atenção, compreensão e não como mais um, que tem de despachar. Acabam até por criar um clima de medo e pouco estável, no seio da equipa onde trabalham, muitas vezes equipas eficazes, compostas por pessoas competentes, mas que ficam oprimidas, sem poderem desempenhar a sua função correctamente, pois encontram-se rodeados num clima de intolerância e incompreensão.
O serviço de saúde que diariamente pagamos através dos nossos descontos passa para segundo plano, deixamos de retirar proveito de uma das mais elementares necessidades que possuímos, o direito a um serviço de saúde de qualidade.
In ARRAIS




